11 de novembro de 2010

O Mar e a Energia

A praia estava à vista, guiei os meus passos em direcção à água (as lições anteriores estavam ainda bem presentes na minha mente), deixei que a água tocasse o meu corpo e fui andando em frente, até sentir temperatura da mesma em todo o meu corpo. Sentei-me, com a água até ao pescoço. De vez em quando mergulhava a cabeça, para sentir o meu corpo estava todo envolto. A pairar sob a água lá estavas tu. Sempre sorrindo, virastes o teu rosto para o horizonte.
“ Se te pedissem para descrever a energia como a descreverias?” puxei o meu ego ao de cima, agarrando-me a todos os ensinamentos que fui adquirindo ao longo dos anos e disse: é fonte de vida e inesgotável (tão espiritual que me sentia ao pronunciar estas palavras)
“ porque será que as pessoas nem sempre pensam isso? Porque será que alguns dizem que a energia desaparece-se-lhes, se ela é inesgotável? Se nos guiarmos pelos conhecimentos que o homem foi desenvolvendo, tudo é limitado, mesmo o que à primeira vista pareça inesgotável. Quando visto de outra perspectiva apercebemo-nos que é esgotável? olha para o mar, à primeira abordagem parece estender-se indefinidamente, contudo , visto do céu, apercebemo-nos dos seus limites… Será que a energia é como um cobertor? Que quando alguém o puxa muito para ele deixa os outros destapados?...”
Sentia curto-circuitos em todo o meu cérebro, sentia que as minhas estruturas, as minhas fundações estavam a ser abanadas no seu mais ínfimo pormenor… Não respondi… Deixastes passar algum tempo, sem tirares os olhos do horizonte onde agora nascia um belo sol.
“ será que a energia é como o mar onde, consoante as marés, vamos tendo mais ou menos água. Onde, consoante a nossa posição, vamos sentindo mais ou menos esses vazios e essas enchentes? Ou será que simplesmente a energia é como agua dentro de uma piscina onde, quanto mais formos, mais o nível sobe com todos e para todos?”
 Deixei agora vaguear o meu olhar pela praia e pela imagem resplandecente que o sol desenhava sobre a água… Não me elucidastes, não me destes a resposta certa… haverá resposta certa? Ou terá, cada um de nós, de encontrar a sua ?... 
Um Abraço Luminoso Para Todos       

Espelho

“ isto é o melhor para todos…” ainda nem tinha a ideia saído completamente da minha mente e já me sentia a desfalecer. Os teus olhos, certeiros e incisivos, penetraram ao mais profundo da meu ser, desmoronando todos os meus castelos de certezas irrefutáveis. Percebi, até que ponto estava dominado pelo meu orgulho, pelo meu obscurantismo, pelo meu ego. O teu olhar demorou-se em mim, pouco tempo é certo, mas de tal forma intenso, que nem precisava de palavras para disjuntar todos os fusíveis do meu cérebro.
“ o melhor? que melhor? para quê? para quem? Melhor do que o quê? Tantas perguntas que arrebataram na minha mente.
Tão prepotente estava a ser ao decidir o que era de facto o melhor. Será que não me apercebi da horrorosa presunção?
Fiquei aterrado pela perspectiva que se deparava, tanta conversa, tantas teorias e, finalmente, aterrava onde sempre negara o acesso aos outros Deixara influenciar o meu pensamento, para influenciar o teu..
Há sentimentos, mesmo não expressos por palavras, que deixam marcas indeléveis que nos trazem de volta à realidade, como baldes de água fria.
O teu olhar foi traço mortal, foi caminho estagnado, foi motivos de vergonha minha. Tantos anos a pregar pela liberdade e agora, em segundos, perdia-me na intransigência, na escolha do que de melhor poderia haver para outros!…
O chão não tinha buracos, as paredes não me podiam engolir, tinha de enfrentar a imensidão do meu mau estar, do meu desconforto, tinha de suportar o meu descuido, o meu abuso, o destronar do meu ego, tão expansivo e agora tão dizimado.
Poderia expressar usando todas as palavras do mundo, todos os idiomas, todos os dialécticos, o mal estava feito, tinha de me remediar, o erro era evidente…e mais uma vez foi o teu olhar que rompeu o meu desespero. Olhastes-me, com um sorriso na face, perdoaste-me, serenamente, colocastes-me de novo no caminho com dois simples olhares e um sorriso..
Um Abraço Luminoso Para Todos

3 de novembro de 2010

Dizer ou Sentir?

Há alturas em que o tempo que passo a dormir é mais cansativo que o tempo que passo acordado. Penso que será dos sonos invertidos ou se calhar por outros motivos… quem sabe? Certo é que nessas alturas os sonos são mais pesados é certo, mas os sonhos são tão mais intensos que a sensação os torna quase reais.

Numa dessas noites estava muito bem sentado na minha praia, bem em comunhão com o mar, calmo (não devia ter nenhum problema para resolver comigo ..), à procura de algo que pudesse ver de diferente, que pudesse atrair a minha atenção. Tão absorto que estava a procurar no horizonte e a grande distância que nem me apercebi do meu pequeno amigo sentado ao pé de mim. Sempre com aquele sorriso que desarma qualquer receio , qualquer surpresa, começou:



“ As vezes procuramos ao longe o que sempre esteve à nossa beira. Desbravamos mundos, renegamos as nossas origens em prol de sonhos que nem imagens alguma vez foram. Por vezes fazemos coisas em nome de teorias que, de válidas nada têm para nós , mas porque alguém nos as disse, as assumimos como inabaláveis…” calou-se e fixou o horizonte. Percebi que estava à espera que tudo o que dissera formasse algum tipo de reacção dentro de mim, por isso deixei que as palavras fizessem o seu efeito.



Quando estava prestes a ganhar coragem para contrapor, ele recomeçou



“ Se queremos conhecer um alimento teremos de o provar, teremos de perceber qual o sabor que ele tem, qual o efeito que ele tem ao circular pelo nosso organismo, como pode ser cozinhado e para alguns até cozinha-lo. Não vamos aceitar que algo é bom só porque alguém nos o disse , sem provar, ficaríamos, no mínimo, com água na boca ou uma imagem sem sabor; incompleta. Com a energia passa-se exactamente o mesmo…” fiquei de boca aberta à espera de mais, mas calou-se. Pousou as suas mãos no meu ombro e senti como um furacão energético a circular dentro de mim. Senti como se tivesse sido arrancado do chão e flutuando, estivesse banhado por uma imensidão de bem estar e de amor incondicional. Como se todo os objectivos da minha vida se resumisse àquilo; sentir amor em cada momento, em cada aspiração, em cada olhar… senti me tão…tão …que nem o sei descrever mas que senti, senti.



Olhou para mim e sempre sorrindo, disse” Isso foi a energia no seu pleno poder, na sua forma mais intensa, mais pura. Agora existem várias formas de lá chegar, terás de encontrar a tua forma de a fazer chegar aos outros e a tua forma de lhes fazer perceber que sentir essa energia é uma coisa maravilhosa, mas conhecê-la controlá-la é de facto um bem ainda mais precioso porque assim podemos passá-la e isso sim é uma bênção. Ou então podes simplesmente fazer das minhas palavras tuas e resumires-te a dizer que é maravilhoso, porque já experimentastes e quando te perguntarem como se pode chegar a essa sensação tão maravilhosa, poderás sempre encolher os ombros e dizer… não sei, foi durante um sonho ”



Um Abraço Luminoso Para Todos

A praia

Muitas vezes durante o sono, viajo até uma praia. Nessa praia, como quase sempre sento-me junto ao mar e vou observando o movimento das ondas. Simplesmente deixo me levar pelo ritmo das marés. Até esta noite era a única recordação que me ficava; o sentimento de calma e relaxamento que a água provocava em mim, como se a ondulação servisse para repor os meus défices energéticos.
Por vezes, feito erudito e entendido numa matéria, que me transcende, tentava encontrar explicações ao que se teria passado, qual o objectivo desses sonhos... em vão.
Estou calmo e sereno era a única e invariável conclusão a que chegava, bem podia ir pela ideia que a água são sentimentos e o seu normal movimento reequilibra os meus, ou que a água representa a limpeza energética que todo o corpo físico ou energético precisa dela para se recompor; a conclusão era invariavelmente a mesma: não me recordava de mais nada que não fosse o sentimento de paz interior que tal situação provocava em mim.
Hoje porém foi diferente...
Sentei-me à borda da água, como sempre, a olhar o horizonte, sem ponto fixo, sem objectivo algum, somente sentindo o movimento das ondas. De repente pareceu me que a ondulação aumentou e senti um certo receio em ficar naquele local, como se as ondas me pudessem de algum modo atingir e quem sabe derrubar ou mesmo engolir.
Perdido na minha aflição não me apercebi de uma pequena mão que me segurava a camisola. Ao deparar-me com o seu proprietário, senti me como repleto de confiança e estagnei, nada parecia mais ter importância que não fosse o olhar e o sorriso apaziguador que me fixava.
fez um gesto para nos sentar-mos e assim fiz. Do canto do olho espreitei ainda as ondas e vi que tudo estava de novo na ordem.
"O Mar representa os nossos sentimentos e também o nosso contacto com a energia, começou ele por dizer. Por vezes vimo-lo como nosso aliado, nosso amigo e por outras assusta-nos tal é a sua força destruidora, o seu domínio sobre a nossa capacidade de lhe opormos qualquer tipo de resistência. 
Com a energia é exactamente igual, todos nós a aceitamos como um facto, como algo que vive conjuntamente connosco e vamos nos aproveitando dela a nosso belo prazer. Quando, por algum motivo ela abana, sentimos receio, como se de um bicho papão se tratasse. A energia existe para o nosso bem estar e para nos auxiliar em todos os passos da vida.
Por isso é preciso, alimenta-la, respeitá-la e aprender a conhecê-la, assim não haverá mais razões para sustos, para receios, pra temores. Quando está revolta, se lhe tivermos dado alguma atenção anteriormente, iremos perceber quais as causas de tal tumulto, qual a forma de voltar a pôr tudo no sítio, sem danos, sem caos.
O problema passa pela maneira como lidamos com ela, como a usamos enquanto é boa. No entanto quando cabe a nós dar de nós, do nosso tempo, viramos as costas porque já não nos agrada, deixou de ser amiga e passou a inimiga. Os tumultos fazem parte da evolução, se os percebermos ou lhe dermos atenção não serão tabus, serão somente mudanças, umas mais mexidas do que outras."
Sorri à explicação e fechei os olhos...para os voltar a abrir à realidade. 
Um Abraço Luminoso Para Todos 

31 de outubro de 2010

Banho de Som Surya


tim! tim! tim! tim!
Os címbalos dão a entrada nesta magnífica viagem. As sonoridades vão aumentando, o gongo impõe-se... respiro fundo e abro a porta da alma à vibração do Som. 
É o momento de deixar ir toda a resistência, relaxo o corpo, liberto a enorme tensão do dia, e deixo-me ir nesta viagem do som pelo interior profundo de mim, sem espaço nem tempo, sem corpo nem imagens... 
Sinto uma brisa suave no ar, como um ligeiro adejar de asas e tomo consciência do espaço. Ouço a respiração de alguém que preferiu deixar-se adormecer, outros que se agitam ainda a criar resistência, mas no geral a Paz instalou-se na sala, reflexo do sentimento de cada Ser que comungou com a sua Essência.

Bem hajam queridos amigos!

Por responderem em uníssono a este desafio do Surya, por estarem presentes e nos encherem a alma com o vosso sorriso, e por levarem os vossos amigos.
Sabemos o quanto é magnífica esta terapia, mas de que adiantaria este saber e o esforço grande para a trazer até vós, se não recebêssemos esta maravilhosa validação da vossa parte?
Deixo-vos aqui o registo fotográfico do "depois", para que os que estiveram presentes possam reviver sensações. 
Os que ainda desta vez não ousaram, oxalá consigam sentir nestas fotos a Paz e o Bem-estar que poderiam ter ganho, e firmem convosco a intenção de se permitirem senti-los outro dia.





Paz e Harmonia para todos

29 de outubro de 2010

Sentir

Hoje acordei triste, sentia-me triste apenas isso. Logo o meu lado racional interviu: "trata de te por alegre, pois não existe razão alguma para estares triste". Verdade?!
Pus-me à procura das razões da minha tristeza, entrei dentro do meu coração e pesquisei-o, não encontrei lá uma razão visível para a tristeza. Mas a vozinha séria no ouvido insistia: "para te sentires triste tens de ter uma razão lógica e real. Sentir tristeza só pode ser resultado dum acontecimento real e doloroso: uma perda, um insucesso, um mal-entendido ou desacordo com alguém, ou ... algo assim."
Nada! Não havia cá dentro nada disso. "Estás a endoidecer"- voltou a dizer a tal vozinha - "se te pões a sentir assim tristeza sem mais nem menos, ou então a entrar em depressão... é melhor ires ao psiquiatra, e não contes isto a ninguém, vê lá".  Fiquei ainda mais triste, claro. Será ?! ainda duvidei por segundos...
Não, nada disso! Sinto-me triste para poder entender o que significa sentir-me alegre, ambos são sentimentos, um tão válido como o outro. Porque haveria eu de precisar duma razão para o que sinto? Sentir é assim mesmo, sem lógica aparente. Sentir faz parte dos neurónios cardíacos que têm vibrações bem mais elevadas do que os cerebrais, e que existem para nos centrar no sentir e não no controlar sensações ou sentimentos.
Ainda há dias acordei com náuseas e um cansaço enorme mas com um sentimento de alegria quase tolo. Inexplicável de novo!
Haverá uma razão para o que sinto? E que importa explicar esta tristeza hoje?
Só sei que a sinto e a aceito. E deixo-me ficar a sentir apenas, sem julgar nem racionalizar. Que paz!


Paz  Harmonia para todos

28 de outubro de 2010

Um Mau dia

Hoje Acordei sem vontade de me levantar, sem vontade de nada mesmo.
Acordei vazio sem força, sem desejo, sem sentido.
Olhei para a minha inércia e para esta infelicidade, com admiração. Não de admirar este estado de preguiça e desânimo, mas sim de admiração por não perceber o porquê. Ontem ao deitar-me estava cheio de energia, cheio de alegria, cheio de mim. Hoje …hoje, tudo isto se desvaneceu, como fumaça após a fogueira, encontro-me frio, não, gélido. O que terá acontecido durante a noite que tenha permitido esta afronta de ficar sem nada, como assaltado por uma força de sucção energética?
Lembro-me vagamente de sonhar e de uma voz lá bem longe que me falava em qualquer coisa como os opostos, os extremos, qualquer coisa que teria a ver com o conhecer ambos os lados… A verdade é que não dei grande importância ao sonho, aos sinais?
Hoje acordei com vontade de não me levantar, de não falar, de não ver, não ouvir. Hoje estou assim, como que morto por dentro, sem força para me ressuscitar, mas porquê?, como? Se ontem estava tão em cima? Como? Se ontem estava tão seguro que este estado de alegria, este estado de felicidade instalara-se para todo o sempre?
O que se terá passado para que as lágrimas que inundam os meus olhos já não sejam de alegria mas de profundo desânimo, o que terá acontecido? Nada simplesmente nada…
Vou aos restos da minha energia para perceber, para catalogar o que me está a afectar desta forma tão forte, tão insensível, tão fria.
Nada, não aconteceu rigorosamente nada e no entanto mudei tanto e tão drasticamente. Ontem alegre e cheio de confiança e hoje, de rastos, sem vontade, nem para respirar…
O sonho volta e trechos se esclarecem aos meus olhos.
A mesma voz o mesmo personagem, as mesmas frases às quais não dei a devida atenção?
Tudo são extremos que o nosso ego nos permite sentir e experimentar, tudo são aprendizagens, tudo são testes. Somente saberás a força da alegria, a bênção de um abraço, a gratidão de um sorriso, se perceberes a força do seu oposto. Se deixares que a confiança cega alimente o teu ego com certezas construídas em castelos de areia, terás de passar pelos testes até entenderes que tudo na vida tem de ser alimentado, tudo tem de ser gerido, tem de trabalhado para que dure. Não basta hoje acreditar que o mundo é cor de rosa , se a tua atitude perante ele é preta. Os testes são portas evolutivas e somente quando ultrapassamos esses testes estamos autorizados a passar à fase seguinte. Se adormeces com o sentimento de trabalho cumprido, com a impressão que o caminho está concluído ou que somente tens de ficar ali, sem mais nada fazeres para não perder o que conquistastes, então arriscas-te ao teste do oposto. Sem dó nem piedade o teste servirá para perceberes que não conquistamos nada que não seja próprio do caminho e o caminho somente acaba no final da rota e não quando nos dá jeito.
Hoje acordei sem vontade, sem força, nem energia, mas se ontem tinha tudo e hoje nada tenho, fico ciente que o estado que já tive era o meu ideal e é por ele que tenho de lutar e assim sim passarei os testes, todos eles como se de barreiras se trate.
Finalmente percebi que as dificuldades que me são impostas pelo infortúnio não são mais que testes, que sempre terei capacidade para ultrapassar desde que me configure ao somente querer e poder. Se queremos um estado de espírito, há que alimentá-lo para o poder manter, investirmos nele. Fazemos isso tão bem quando estamos na mó de baixo, porque não o fazer quando estamos na mó de cima?

Um Abraço Luminoso Para Todos

Hoje é um bom dia

As conversas de café pararam. O frio instalou-se neste nosso paraíso e custa me cada vez mais sair de casa. A semana tem sido difícil, não direi os dias mas sim as noites… As conversas passaram a ser na cama e em sonhos cada vez mais lúcidos. Pensava eu que as férias com a chegada do inverno, tinham começado, afinal não, não há tempo para descansar, não há tempo para preguiçar…

Nessa noite deitei-me cansado, fisicamente, mentalmente, cansado não da carga de trabalho mas de não encontrar justificações a perguntas sem nexo, a dúvidas que não se parecem com nada, enfim com tempo perdido em futilidades que alimentam uma insegurança, descabida.

Vi o chegar com os livros debaixo do braço, carregando o peso da experiência e do conhecimento que não pode estagnar; A luz que o rodeava deixou-me relaxado, confiante, como se em segundos todo o meu cansaço, tudo o que me levara a deitar-me, estava justificado.

Sorriu para mim enquanto abria o livro, deixou passar alguns instantes enquanto parecia analisar o seu conteúdo e, finalmente, olhou para mim de novo, com o sorriso estampado no rosto. As bocas não falavam mas as mentes respondiam, sem perceber como a minha memória ia gravando frase, após frase, bebendo as suas palavras como se de água límpida que apazigua a sede se tratasse.

“Hoje é um bom dia… E por que é um bom dia? O que faz com que seja um bom ou um mau dia, o que te permite afirmar que este dia é melhor que o de ontem ou o de amanhã? O que consideras um bom dia?

Pronto o mote está lançado senti-me eu a pensar. Estava à espera de respostas, de linhas de conduta, de linhas de raciocínio, de certezas (não estamos todos?).

Abriu de novo o livro, olhou atentamente e foi virando as páginas. No meu intimo pensei piamente que procurava respostas certas para perguntas tão evasivas. De novo olhou para mim, sorriu, fechou o livro e enquanto se afastava, olhou para mim, sempre com o sorriso estampado na face e, somente disse; Pensa nisso?... Desapareceu…

Sozinhos com os meus pensamentos e com mais dúvidas ainda, lá fui eu recapitulando. O que é um bom dia? Pensei em tudo o que poderia representar um bom dia… o sol, as companhias, boas notícias, dinheiro etc.. mas não me senti satisfeito com a resposta, isso eram sensações do momento, eram sentimentos que durariam alguns instantes talvez, na melhor das hipóteses algumas horas, mas não um dia inteiro…

Continuei procurando no fundo de mim e tentei encontrar um bom dia. Acabei por encontrar pedaços de bom dia, nunca um dia inteiro de bom. Havia sempre algo de menos bom nesse bons dias. Se não fosse para mim, tinha sido para alguém que estava perto de mim e que acabava por me afectar tambem.

Fui tentando puxar ao máximo e cheguei a uma resposta que me satisfez: Afinal todos os dias são bons dias. Para isso basta que estejamos vivos e estejamos dispostos a aprender. A lição é o bom do dia e, seja alegrias, tristezas, sorrisos ou lágrimas, todos os dias são bons para aprender.

A resposta deve ter agradado, porque lá do cimo senti como uma brisa que me abanou o cabelo, como se de uma carícia se tratasse, como um sorriso envolvendo-me… não me lembro de mais nada somente que adormeci… com um sorriso nos lábios, murmurando ; hoje é um bom dia….


Um Abraço Luminoso Para Todos

26 de outubro de 2010

Essência

Quando estou a sós comigo, estou sómente dentro do meu coração. Não preciso da mente para racionalizar, nem do Ego para descodificar. Mergulho fundo à procura da minha essência, ouço-me, sinto, percebo, aceito, curo e amo. Todos estes processos são "cardíacos". A compreensão da Totalidade, do Um Absoluto, do Ser Total a que pertenço, nasce ali.
Saio de mim, deixo que os olhos mostrem o sorriso que tinha no coração, cruzo a porta e estou com os outros.
Vou caminhando, presto atenção, escuto, participo, partilho, converso, sempre presente e atenta em cada passo. Dou-me em Atenção e Amor e recebo igual.
Abro-me num abraço onde cabem todos os que se cruzam comigo, todos os que amo e todos os que nem sequer conheço. Junto-me às gargalhadas, ou faço-as nascer; choro lágrimas em fio ou faço-as brotar; entro na Roda, danço e canto a mesma canção ou trago novas canções para a roda.
Dou-me em Amor, sem reservas, sem deixar de Ser quem eu sou. Estou em paz, estive em mim e trago comigo a minha Essência. 

Paz e Harmonia para todos

24 de outubro de 2010

Introspecção

"Há momentos em que se torna necessário introverter-se, silenciar a mente, e mergulhar no mundo profundo dos nossos pensamentos mais elevados"




Hoje tinha esta frase no email, ecoou em mim sem entender exatamente porquê. Entender é da mente, do ego, e é exatamente o contrário que a frase diz: silenciar a mente... Logo, não é pelo entendimento que se chega a alguma conclusão.

E como se elevam os pensamentos, para se poder mergulhar neles, quando aquilo que sentimos é bem pouco elevado. Sentir é do coração, ouço as palavras que repito frequentemente. No entanto, o Ego faz-nos sentir muitas coisas que o coração sabe não serem verdades. Há que meditar profundamente para chegar à verdade se o que se sente vem da mente ou do coração.

Tantas vezes procuramos a validação dos outros para sabermos quem somos, mas quem somos está dentro de nós, é um processo interior, nunca pode vir dos outros. Aos outros temos de ir buscar o lado sombra, aquilo que não queremos reconhecer em nós, receber e aceitar com Amor a maravilhosa aprendizagem que nos proporcionam.

É necessário aceitar quem somos e como somos, com virtudes maiores e menores, olhar-nos com Amor profundo, sem julgamentos. Aceitar objetivamente o que vem da profundidade da alma, para poder libertar e deixar ir as sensações a que nos apegamos porque apesar de menos positivas, são conhecidas e confortáveis. A honestidade das nossas conclusões tem de ser suprema e triunfar sobre todas as artimanhas da mente para conseguir o domínio e o controlo do coração.

Hoje tenho de me ligar aos meus pensamentos mais elevados, trazer até à consciência a sabedoria interior, a frase que chegou por email veio no dia certo, como sempre.


Paz e Harmonia para todos!






20 de outubro de 2010

Outono dos Apegos

Hoje, para mim, é dia de "São Desapego". Alguns de vós já o sabem, já devem até estar cansados de me ouvir falar na importância de nos "desapegarmos".



Abri o blogger e sentei-me aqui disposta a transmitir-vos isto que me vai na alma há uns tempos. Este tema em que penso frequentemente por sentir a importância de me “desapegar”. De quê? De tudo o que possa preencher o espaço da luz da minha Essência.


Na Primavera fazemos a limpeza anual. Abrimos os armários e despensas e deitamos fora o que já não queremos, para criar espaço para as coisas novas que pensamos que vamos ter. Deixamos ainda muita coisa na “caixa das recordações”, uns mais do que outros é certo, mas no geral todos deixamos: cartões e cartas, flores secas, caixas, caixinhas e sacos; uma roupa que já não serve mas de que gostamos muito ou foi muito cara; um pechisbeque que nunca usamos mas foi “aquela pessoa” que nos deu; utensílios que nunca foram necessários durante anos mas temos “medo” de vir a precisar… Ou seja, Apegos!



Da mesma forma, enchemos os nossos armários energéticos com “apegos”, ideias e sentimentos moribundos ou já mortos, que não têm sentido mas que teimamos em guardar, porque acreditamos depender deles. Apegamo-nos ao que fomos sentindo ou sentimos ainda: raiva, despeito, ciúme, tristeza, deceção, dor, doença, paixões, amores, insegurança, solidão, vazio...; à esperança de mudar os outros; à ideia da perfeição de vida que julgamos ter criado e estar certa, mas que afinal nunca resultou nem nos trouxe a Felicidade.


Resistimos a tudo o que não se coaduna com as instruções do Ego, sem perceber que o desconforto interior e os problemas à nossa volta foram criados por nós. São apenas a consequência dessa nossa resistência.


Deitar fora e promover a mudança assusta, porque é perder o controlo e abrir espaço ao desconhecido, mas é tão-somente fazer o mesmo que com facilidade fazemos nos armários de casa. Desta vez mais criteriosamente, indo mais fundo na limpeza dos apegos e recordações, porque a luz da nossa verdadeira essência é enorme e precisa de todo o espaço disponível para se manifestar.

É no Outono que a natureza se prepara para a renovação, basta olhar as árvores a libertarem-se das folhas gastas pelo Verão. Se seguirmos o exemplo da natureza, pois somos feitos da mesma energia, é no Outono que a limpeza se impõe naturalmente.

E estamos no Outono, amigos!


Paz e Harmonia para todos

19 de outubro de 2010

Vivam os novos Reikianos!

Domingo foi um dia feliz!

Foi com esta frase que adormeci no domingo, naquele último suspiro de relaxamento que antecede o sono, senti que mais um passo foi dado no Caminho. Com que destino? O rumo e o destino não interessam, são futuro e é no presente que centro a minha atenção. Agora estou aqui, com a consciência exacta de que é aqui que tenho de estar, onde a Vida me colocou.

É fácil ter esta consciência, o difícil está em interiorizar sem dúvidas que o papel a desempenhar está bem aprendido e a missão foi executada com sucesso. A dúvida é simultâneamente o melhor amigo e o pior dos inimigos. Se nos traz falta de confiança e, por isso, vacilamos no nosso desempenho, é um inimigo. Se nos obriga a abrir o coração ao Amor, a estar presente e centrar toda a atenção em cada detalhe e pormenor, sempre alerta e conscientes, então torna-se de facto o nosso melhor companheiro desta Viagem.

Às mentes iluminadas e corações amorosos que nos honraram com a sua presença e troca de sabedoria, envio este abraço de gratidão. É muito fácil passar conhecimentos a outros se o que recebemos em troca é um manancial de sabedoria e amor.

Foi mais um passo no Caminho, mais uma aprendizagem interiorizada, mais partilha, mais abraços e sorrisos. Foi mais um dia feliz!


Paz e Harmonia para todos

Quem me guia ?

Quando iniciamos a busca da nossa identidade espiritual, é natural que nos voltemos para um mestre, pois sentimo-nos perdidos e queremos confiar numa qualquer luz que nos ajude a percorrer este caminho ainda desconhecido.


À medida que avançamos no nosso processo de autoconhecimento, e aprendemos a manter contacto com a nossa Verdade Interior, percebemos que as respostas para todas as dúvidas e questionamentos se encontram dentro de nós.


Quanto mais familiarizados nos tornamos com esta verdade, totalmente diferente do mundo material e palpável que tão bem conhecemos e, por isso, exige de nós uma nova forma de perceção, mais segurança passamos a sentir na nossa intuição.


Aprender a confiar neste dom que existe em todos os seres humanos é algo que não acontece facilmente. Como somos treinados para lidar com a vida através da razão, seguindo parâmetros pré-estabelecidos, temos dificuldade em ouvir, em cada nova situação ou circunstância que se apresenta, a voz da intuição, aquela que nos direciona para o caminho mais acertado, ou seja, o nosso Caminho onde encontraremos a Paz interior.


Precisamos de perseverança e, acima de tudo, de enorme coragem para tatear no desconhecido, com a certeza de que encontraremos ali as respostas que procuramos.


Cada um criará o seu próprio caminho e fará a descoberta à sua maneira e no tempo que lhe for adequado. O importante é ter sempre presente que todos somos capazes de nos tornar os nossos próprios guias, e de direcionar a nossa vida pela luz que existe no nosso interior.



Paz e Harmonia para todos

BANHO DE SOM - Terapia com Taças Tibetanas e Gongo



Caros Amigos,


Tal como prometido, o Espaço Surya vai de novo proporcionar-vos a terapia de grupo - Banho de Som, desta vez será num espaço diferente para podermos receber todos os amigos. Esta terapia é facilitada em grupo para que todos possam usufruir plenamente dos maravilhosos benefícios que nos proporciona.

A cura através do som é uma das mais antigas tradições terapêuticas, remontando a sua prática a mais de 5000 anos. O Banho de Som é baseado na ancestral sabedoria tibetana de produção de sons e ultra-sons com taças de uma liga metálica especial. Estas taças são utilizadas no Tibete, Nepal, Índia e outros países orientais com tradições tibetanas, onde são conhecidas pelas suas potencialidades espirituais e terapêuticas. O Ocidente tem vindo a reconhecer nestes objectos ancestrais e na sua sonoridade, excelentes instrumentos de meditação, reequilíbrio energético, relaxamento, purificação e cura.

Durante o Banho de Som os participantes estão deitados e, à medida que as taças e gongos são tocados, as vibrações e a sonoridade por eles criados são captadas e transportadas por todo o corpo dos participantes, tendo a capacidade de penetrar cada célula e viajar até pontos no interior do seu corpo que de outra forma dificilmente seriam tocados.

Embora seja uma terapia de grupo, o terapeuta passeia os sons entre os participantes, aplicando as vibrações de forma personalizada onde sente que elas são necessárias para que o processo de relaxamento profundo, harmonização energética e cura seja proporcionado a cada um.

O Banho de Som é uma viagem de ressonância e reconhecimento do Som Primordial dentro de nós, na qual através dos sons harmónicos das taças tibetanas, gongos, címbalos e outras sonoridades mágicas, se cria um espaço para lá do tempo e das condicionantes quotidianas... Um espaço que nos põe em contacto com a serenidade e verdade da nossa mais pura Essência.



Data: 30 OUTUBRO 2010 (sábado) - 16H00

Duração: 1 hora
Facilitadora: Sofia Guerra


Local: Rua Serra da Arrábida, nº 849 - Quinta do Conde


Valor de troca: 15,00 €




INSCREVA-SE JÁ, LUGARES LIMITADOS



Luz, Paz e Harmonia para todos

18 de outubro de 2010

RECORDAÇÕES DE VERÃO II

Dias e Dias
Há dias assim acordo chateado, não sei porquê não sei como, mas acordo chateado. Por um sonho que me esqueci, por um momento menos aproveitado no descanso, por tudo e por nada, acordo chateado, pronto. Aprendi que é nesses momentos que devo fazer mais meditação, se fiquei chateado e se não sei a razão, devo ir ao mais profundo de mim mesmo para encontrar as causas. Nesses momentos também sei que é difícil ser isento e ter a calma suficiente para ir fazer o que deve ser feito, por vezes, a maioria das vezes, escudo-me atrás do meu estado para não aprofundar o meu estado… vivo no meu mundo de chateado… e fico ainda mais chateado, porque sei que não devo alimentar esse estado, que não devo deixar andar as coisas à espera que elas se resolvam, mas sei também que, no fundo, não me quero dar ao trabalho de entender, de me entender, sinto-me bem chateado, no meu canto, na minha solidão, no meu isolamento.
Mas se sei tudo isso, se sei o que devo fazer, o que devo procurar, porque não o faço? Pois é, por isso é que fico chateado…
Quando isso me acontece, é nesses momentos que percebo o porquê de ainda estar no inicio do trilho, no inicio da experiência, no inicio da aprendizagem. Ainda não sou o dono dos meus sentimentos, das minhas emoções e muito menos dos meus humores. Sou um simples aprendiz que sabe a lição na teoria mas não a consegue ainda pôr em prática. Sou um aprendiz que pensa por vezes que está apto a que perante alguns desaires, algum obstáculo, se deixa ir sem controlo, ou qualquer tentativa de corrigir o desvio.
 Não é um erro, é somente um desvio do caminho que deveria ser trilhado, tanto mais que todos sabemos que o estar chateado ou triste, não vai revolver nada, bem pelo contrário, no entanto gostamos de viver esse estado, de nos apiedar sobre o nosso estado.
Hoje é um daqueles dias que estou chateado, não sei porquê mas sei que não devo continuar a alimentar esse estado, por isso estou chateado sim, mas agora já não, porque quero viver e respirar alegria, quero viver e sentir a brisa, por mais fraca que seja, porque sei que chateado não interesso a ninguém e sei que neste momento o que mais me preocupa é estar chateado.  

SOLIDÃO
Estou naqueles dias em que preciso de companhia, preciso de falar. Não que tenha algo a dizer de importante, o que preciso mesmo é de companhia. Estou quase ansioso que alguém chegue e fale comigo, seja do que for, mas que fale comigo, que ocupe o espaço do meu cérebro com assuntos que não sejam meus, que possa partilhar palavras, ideias, sentimentos…
Hoje estou naqueles dias em que os meus pensamentos me assustam, me desanimam, tenho necessidade dos outros, de estar somente num local com movimento, onde a mente não tenha tempo para ela, tenha ocupação, tenha distracção.
Hoje estou naqueles dias em que a vontade deixou de ter força, deixou de ter razão de ser, onde a mente tomou conta do todo e fez estragos…
Hoje preciso de companhia, mesmo que seja para partilhar um silêncio. Preciso de uma companhia para ocupar o vazio que me rodeia, preciso de companhia para enfrentar a dúvida, preciso de estar com alguém mesmo que não me fale, mesmo que não me veja, mesmo que não esteja comigo ou para mim , preciso de uma presença mesmo que ausente…
São dias assim que nos deixam sem força, sem energia, são dias assim que fazem nascer a incerteza, o medo, o receio, a dúvida…
Hoje preciso de companhia e não é da minha…
Preciso de ver outros a viver, a sorrir a falar, preciso de os ver evoluir mesmo que de longe, mesmo que sem intervenção minha, hoje preciso mais do que nunca dos outros…
Hoje preciso dos outros é verdade, mais deles do que de mim, hoje preciso mais do que nos outros dias, hoje simplesmente preciso de sentir que estou vivo e que os outros estão cá também e me vêem ou não… isso não importa pois não? preciso disso para não sentir a solidão...

Um Abraço Luminoso Para Todos